quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

História do Cariri: 2 episódios ocorridos no século 19

 1 – A Revolução Pernambucana de 1817
        Qual a postura das famílias caririenses na época do Brasil-Colônia? Os clãs viviam sob a forte influência da Igreja católica. Isso, certamente, teve influência para o fracasso dos revolucionários republicanos de Pernambuco de 1817 na sua investida no Sul do Ceará. Os revolucionários de Recife enviaram ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho desta região, para levantar o povo contra a Família Real que residia no Rio de Janeiro, sob a liderança do Rei de Portugal, Brasil e Algarves, Dom João VI.

        Aqui chegando, o seminarista Alencar procurou logo a mais importante liderança desta região, o fidalgo e grande proprietário rural Leandro Bezerra Monteiro, à época Comandante do Regimento de Cavalaria de Milícias de Crato. José Martiniano acenou para Leandro  com vantagens para este aderir à Revolução. Sobre Leandro Bezerra Monteiro, assim se referiu Gustavo Barroso literalmente: “Homem equilibrado e sensato, nunca deixou de ser fator ponderável de equilíbrio social, naturalmente defendendo o que se chamava conservadorismo”. Não contava, pois, o jovem seminarista Alencar deparar-se com a solidez dos princípios religiosos e a lealdade que o Comandante das Milícias de Crato sempre tivera para com a Monarquia e a Dinastia dos Bragança. 
         Em resumo, assim descreveu o historiador Joaquim Dias da Rocha sobre o final da visita de abordagem feita pelo seminarista José Martiniano de Alencar a Leandro Bezerra Monteiro, numa das propriedades rurais deste último:
“O entusiasta propagandista esgotou em pura perda o arsenal de argumentos que trazia aparelhados; e desanimou quando, afinal, se resumiu o velho monarquista:

–“Padre José – disse Leandro Bezerra – é ainda cedo para a nossa emancipação; quanto à república, ela me terá sempre como acérrimo inimigo".
Revolução Pernambucana de 1817 em Crato. No Cariri o movimento foi feito pela família Alencar e seus agregados

2 – A Guerra do Pinto
Casa existente em 1834, na Praça da Sé, em Crato, onde foi julgado e condenado à força o Coronel Pinto Madeira. A sentença foi comutada, depois,  para fuzilamento do réu. Parte desta casa ainda existe,  na esquina da Praça da Sé com Rua Dom Quintino.

       Abordemos, agora, outro episódio da nossa histórica. Em 1832, o Cariri seria sacudido por outro movimento, desta feita liderado por Joaquim Pinto Madeira, que era, à época, o Capitão de Ordenanças e Coronel de Milícias de Crato, o qual, no auge do seu prestígio, era chamado – pelo povo – de Governador do Centro do Ceará. Isso porque a influência de Pinto Madeira se espalhava desde  a cidade de Quixeramobim, no Sertão Central até as terras do Cariri, numa distância de quase 400 Km.  Afeiçoado por índole às coisas da Monarquia e à Dinastia dos Bragança, Pinto Madeira lutou ativamente contra os que promoveram os movimentos republicanos da Revolução Pernambucana, em 1817 e da Confederação do Equador, em 1824.  A esse respeito assim escreveu o historiador Irineu Pinheiro: “Nunca perdoaram os Alencares e os liberais cratenses a ação de Joaquim Pinto Madeira naquelas duas agitadas fases da nossa história”. 
      Pois bem, quando Dom Pedro I renunciou ao trono brasileiro, em 1831, Pinto Madeira não se conformou, pois acreditava, erroneamente, que o gesto do nosso primeiro imperador teria sido forçado a isso pelos liberais. Pinto Madeira pegou em armas, invadindo várias cidades do Sul do Ceará, com o objetivo de permitir a continuidade do Reinado de Dom Pedro I. No entanto, os tempos eram outros, bem diferentes de 1817 e 1824. Estávamos já na época das Regências que governaram o Brasil até a maioridade do Imperador Pedro II. E o governador do Ceará não era outro, senão o Padre José Martiniano de Alencar, aquele antigo seminarista revolucionário de 1817, inimigo de Pinto Madeira. Em resumo: tudo terminou com o fuzilamento de Pinto Madeira, fato ocorrido em 1834, na cidade de Crato. 
      Quando a primeira saraivada de bala o abateu, Pinto Madeira ainda teve forças para gritar:

    – Valha-me o Santíssimo Sacramento.
   Passou à história do Ceará como “O Mártir da Monarquia”.
Em 1834, o Presidente da Provincia do Ceará Grande era o Padre José Martiniano de Alencar, o antigo seminarista que fez a Revolução de 1817 em Crato.

 Irmã Annete, Doutora Honoris Causa da URCA
     Neste dia 1º de fevereiro, às 15 horas, tendo como local o Círculo Operário São José de Juazeiro do Norte, Irmã Annette Dumoulin receberá – da Universidade Regional do Cariri-URCA –, o título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido por aquela instituição. Nascida em Liége, no Reino da Bélgica, em 14 de julho de 1935, Annette Dumoulin viveu parte de sua primeira infância no seu país de origem. No entanto, por causa da Segunda Guerra Mundial, sua família teve de emigrar para o Sul da França, onde seu pai – que era médico –prestava assistência às vítimas do conflito que atingiu praticamente toda a Europa.
       Ainda jovem, ela se sentiu atraída pela vida religiosa, sendo admitida na Congregação de Nossa Senhora (mais conhecida como Cônegas de Santo Agostinho). Consta no seu face book que: “Em 1955, a jovem Annette formou em educação física na Bélgica e em 1958 graduou-se em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Louvain, seguida também da formação em Psicologia da Religião, obtendo os títulos de mestre e doutora em Ciência da Educação com especialidade em Psicologia da Religião pela mesma Universidade Católica de Louvain”.
      Transferida para o Brasil, Annette Dumoulin reside há 45 anos em Juazeiro do Norte, sendo hoje a maior conhecedora das histórias das romarias do Padre Cícero. E foi ao ‘Padim” que ela dedicou a maior parte da vida e todo o seu talento intelectual e vocação humanitária. “Eu deixei Pai e deixei Mãe. Deixei todos os meus Irmãos. E cheguei no Juazeiro, para servir ao romeiro.” Afirmou Irmã Annette. Sua voz marcante se tornou referência na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, durante as romarias ao Padre Cícero. 
       Já escreveu alguns livros sobre o Padre Cícero e o fenômeno das romarias. Mereceu com justiça o reconhecimento do seu trabalho concretizado com a concessão do título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido pela URCA.

Número especial da revista Itaytera
        No próximo dia 13 de abril será lançado o primeiro número especial da revista “Itaytera”, órgão do Instituto Cultural do Cariri, que tem sede em Crato. Esta edição abrirá a série de “números especiais” que serão editados – a partir de agora – juntamente com as edições normais de “Itaytera”.
          O número 1 especial de Itaytera, homenageará o professor José do Vale Arraes Feitosa por ocasião do centenário de nascimento deste mestre. José do Vale  lecionou, durante décadas, em educandários cratenses, dentre os quais: Colégio Diocesano de Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves, Escola Agro-Técnica Federal de Crato, Ginásio Municipal Pedro Felício Cavalcanti.  
           Nascido no sertão dos Inhamuns, em 11 de abril de 1919, a fecunda vida do Prof. “Zé do Vale” – como era mais conhecido – iniciada no primeiro quartel do século XX e findada praticamente no final desse mesmo século, muito significou para a comunidade cratense e para sua família. José do Vale Arraes Feitosa foi um homem dotado de virtudes e qualidades, de marcante personalidade e de nobreza, no trato com seus semelhantes. Em 1968, José do Vale obteve graduação em Letras, pela antiga Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri–URCA. Ele frequentou os bancos do ensino superior, apenas para oficializar o título. Não precisava dele. Nunca precisou. Mais do que um autodidata, José do Vale foi um “professor-aluno” daquela Faculdade, onde recebia o respeito tanto dos mestres como dos colegas.
No bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco) ergue-se uma das maiores escolas de Crato, denominada Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Igrejas de Juazeiro do Norte: a do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos
A construção durou mais de 20 anos
    Juazeiro do Norte é conhecida como a cidade das grandes igrejas católicas. Dentre elas,  a do Sagrado Coração de Jesus é uma das mais novas. Neste 2018 essa igreja completou 40 anos de sua inauguração. Mas levou muito tempo para ser construída. Abaixo nota publicada pelo site Miséria sobre este aniversário:

“O Santuário do Sagrado Coração de Jesus ou Igreja dos Salesianos em Juazeiro do Norte, cuja inauguração aconteceu no dia 7 de maio de maio de 1978, comemora hoje, 40 anos daquela grande festa. O templo se constitui num dos mais belos do município por conta do seu projeto arquitetônico no estilo barroco europeu, com traços de exuberância. As obras começaram em meados da década de 50 um terreno doado pela prefeitura onde existia a Praça Pio XII e duraram pouco mais de 20 anos.

A benção da pedra fundamental foi procedida pelo Padre Renato Ziggiotti, quinto sucessor de Dom Bosco. Sua idealização tem a ver com um sonho e desejo do Padre Cícero apresentado aos religiosos da ordem salesiana. Outra curiosidade, é que a imagem do Sagrado Coração de Jesus presente no altar foi fabricada por alunos salesianos de Gênova, na Itália. 

Já a criação da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, por iniciativa do terceiro Bispo Diocesano de Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, tinha ocorrido cerca de três anos antes. Na placa de inauguração constam o reconhecimento ao voto do Padre Cícero, a dedicação do Padre Nestor e a ajuda dos fiéis. Na época, o presidente da República era o General Ernesto Geisel; o governador do Ceará, Waldemar Alcântara e o prefeito de Juazeiro do Norte, Ailton Gomes de Alencar. Todos falecidos.

O Santuário abriga ainda imagens que tinham sido trazidas de Roma pelo próprio padre Cícero quando viajou em busca de suas ordens sacerdotais. Muitos foram os párocos que por ali passaram sempre promovendo um edificante trabalho de evangelização com o apoio de dezenas de pastorais da Paróquia”.  

 A igreja do Coração de Jesus, hoje

Barbalha: Festa do Pau da Bandeira reconhecida como patrimônio cultural do Ceará
    Após apresentação do excelente relatório do Conselheiro José Luís Lira, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa) declarou a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha como “Patrimônio Cultural do Estado do Ceará”.  Desde 2015 essa festa tinha sido reconhecida, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como “Patrimônio Imaterial Brasileiro”. O reconhecimento, agora, por parte do Estado é, seguramente, mais uma razão para a salvaguarda desse evento e melhoria de sua realização anual.

     Na sua monografia de mestrado, o Prof. Océlio Teixeira de Sousa, do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri afirma: “O Cortejo do Pau da Bandeira consiste no carregamento de um grande mastro do sítio São Joaquim (nos últimos 4 anos o pau tem sido retirado do Sítio Flores, distante cerca de 10 km da sede do município), que dista 5 km da cidade de Barbalha, até a Praça da Igreja Matriz, onde é levantado com a bandeira de Santo Antônio. Não se sabe com precisão quando ocorreu o primeiro cortejo com o mastro da bandeira do Santo Padroeiro”.

     Já no documento de reconhecimento do Iphan consta: “A Festa de Santo Antônio é uma referência cultural do barbalhense e independente do reconhecimento de um órgão público, como é o Iphan, junho é e permanecerá sendo tempo de celebrar Santo Antônio em Barbalha e em inúmeras cidades brasileiras em seus folguedos juninos – que assumem formas e sentidos diversos – até que os grupos sociais que as agenciam considerem-nas pertinentes. E em Barbalha, a celebração a Santo Antônio ganha contornos particulares por meio do Carregamento do Pau da Bandeira”.

Caririenses ilustres: Antônio Xavier de Oliveira
   Médico, escritor e político, Antônio Xavier de Oliveira nasceu em Juazeiro do Norte, em 9 de outubro de 1892 e faleceu em 6 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro (onde se fixara após sua formatura em medicina). Na política, chegou a ser deputado federal – eleito pelo Ceará – e participou da Assembleia Constituinte de 1934 (a segunda constituição republicana dentre as seis promulgadas pelos governos republicanos do Brasil).

    Escreveu o livro “ Beatos e cangaceiros” (1920); “O magnicida Manso de Paiva — um aspecto clínico e médico-legal de sua psicopatia” (tese do seu doutorado em  medicina, 1928); “Intercâmbio intelectual americano” (1930); “Espiritismo e loucura” (1931); “O Exército e o sertão (1932); “Cardeal Pacelli  no Brasil (1942) e “Pio XII no Brasil”, este último somente publicado após sua morte, dentre outros. 

      Em 1967, na administração do Prefeito Mauro Sampaio, foi fundado o Ginásio Municipal Antônio Xavier de Oliveira, que prestou relevantes serviços à educação de Juazeiro do Norte. Este educandário (única homenagem prestada pela terra natal à memória do seu filho, Dr. Antônio Xavier de Oliveira) teve, anos depois, suas atividades encerradas.
           Para a época o prédio do Ginásio Antônio Municipal  Xavier de Oliveira era imponente

Instituto Cultural do Cariri vai comemorar centenário de nascimento do Prof. José do Vale
    No próximo dia 13 de abril de 2019, o Instituto Cultural do Cariri–ICC comemorará os cem anos de nascimento do Prof. José do Vale Arraes Feitosa. Além de algumas solenidades cívicas e religiosas, previstas para resgate da memória deste ilustre educador, o ICC lançará uma “edição extra” da revista “Itaytera”, toda ela dedicada à vida do Prof. José do Vale.

     O Prof. José do Vale lecionou, durante décadas, em educandários cratenses, dentre os quais: Colégio Diocesano de Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves, Escola Agro Técnica Federal de Crato, Ginásio Municipal Pedro Felício Cavalcanti.  Era sócio do Instituto Cultural do Cariri e foi um modelo de cidadão para a comunidade onde viveu praticamente toda a sua existência.

Cronologia da vida do Prof. José do Vale

1919 – 11 de abril, nasce José do Vale Arraes Feitosa, na Fazenda Cana Brava, em Parambu (CE).

1936–1941 – Aluno do Seminário Diocesano São José, na cidade de Crato.

1942 – Início de suas atividades como Professor, no Colégio Diocesano de Crato.

1946 – Casamento com Maria Gisélia Pinheiro Feitosa, com quem teve seis filhos.

1965 – 30 de janeiro, morte de Maria Gisélia Pinheiro Feitosa.

1968 – Casamento com Maria do Carmo Feitosa, com quem teve dois filhos.

1997 – 19 de outubro, o Prof. José do Vale morre, após pertinaz doença, morre num dos leitos do Hospital São Francisco, em Crato.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Construção do Centro Cultural do Cariri será iniciado em 2019
 Prédio do antigo Seminário Apostólico da Sagrada Família, na cidade de Crato, onde será instalado o Centro Cultural do Cariri

     A Prefeitura de Crato adquiriu o imenso conjunto arquitetônico onde funcionou o Seminário Apostólico da Sagrada Família (depois serviu como Hospital Regional Manoel de Abreu), localizado no bairro Recreio. O prédio será doado ao Governo do Ceará, que o restaurará, e lá fará funcionar o Centro Cultural do Cariri, que funcionará nos moldes do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, de Fortaleza.
      Segundo anunciou o Governador Camilo Santana, o Centro Cultural do Cariri será uma grande arena e anfiteatro, com cinema, área de exposições, teatro, área de lazer, biblioteca, livrarias, memoriais, amplo estacionamento, dentre outros benefícios.

A Vila da Música do Belmonte
         Outro equipamento cultural de grande importância é a Vila da Música, construída pelo Governo do Ceará, no bairro Belmonte, no sopé da Chapada do Araripe, na cidade de Crato. Trata-se do primeiro equipamento cultural do gênero, construído pelo Governo do Estado, no interior cearense. Um espaço que conta com infraestrutura moderna e dedicada a atender estudantes – crianças, jovens e adultos -, distribuídos em diversos cursos de diversos instrumentos, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo e violão.
     A Vila de Música funciona numa parceria do Governo do Ceará – através da Secretaria da Cultura – com a tradicional escola de música Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada por Mons. Ágio Augusto Moreira na década de 1970. Esta instituição tem como temas centrais a socialização, a formação humana e o ensino musical, diretrizes estas que foram incorporadas à Vila da Música, fomentando a cidadania através da educação musical e criando oportunidades para o desenvolvimento humano, econômico e territorial sustentável.

Patrimônio histórico do Cariri: o relógio da Catedral de Crato
     O velho relógio da Catedral de Crato continua batendo as horas, 155 anos depois de inaugurado. Ele foi adquirido na fábrica Ungerer & Frères, localizada em Estrasburgo (França), e assentado, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva, na então Matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 21 de janeiro de 1863. O relógio foi oficialmente entregue à população de Crato, no dia 12 de outubro daquele ano, por ocasião da primeira visita pastoral feita ao Cariri pelo primeiro bispo do Ceará, Dom Antônio Luís dos Santos.
     A iniciativa da compra desse relógio coube ao vigário colado da freguesia, Padre Manuel Joaquim Aires do Nascimento, que o adquiriu por intermédio do Dr. Marcos Antônio de Macedo. Consoante informação do historiador Irineu Pinheiro, o relógio da Matriz de Crato foi considerado, “naqueles tempos, um dos melhores do Império”.
    Decorridos 155 anos da sua instalação, o velho relógio da Sé de Crato ainda marca as horas com exatidão. Em 2003, o ex-Cura da Catedral, Monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, escreveu à fábrica de relógios Ungerer solicitando informações sobre o equipamento adquirido para a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, no terceiro quartel do século XIX.
Acima, Theodore Ungerer, construtor do Relógio da Catedral de Crato,
Crédito: site: http://phaffans.com/wp/?tag=equation-du-temps

A carta-resposta recebida pelo Monsenhor
   Transcrevemos abaixo a correspondência recebida – e traduzida – por monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo:

“Estrasburgo, 6-11-2003
A Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo
Vigário Geral da Diocese de Crato-CE

Monsenhor,Queirais perdoar o atraso desta resposta à vossa simpática mensagem de 21 de janeiro de 2003 e vossa carta de 7 de maio ao Vigário Geral de Estrasburgo, que me chegaram, há algumas semanas, somente após três meses de ausência.

Eu sou filho caçula de Thédore Ungerer (1894-1935) construtor do relógio Astronômico de Messina (Sicília) (1933), o maior do mundo com 50 autômatos, dos quais 48 desenhados por meu pai.

Para responder à vossa questão se há ainda a fábrica em Estrasburgo, eu anexo a esta carta um texto do Sr. Yann Cablot, dos Arquivos Departamentais do Baixo Reno.

Eu concluo que a firma Ungerer, fundada em junho de 1858, cessou definitivamente sua atividade, em janeiro de 1989.

Eu encontrei talvez traços de vosso relógio, no repertório dos Grandes Livros Ungerer, nos Arquivos Departamentais (73J45 pag.91, anexo) onde se encontra um pagamento de 1.130 Fr, em 27 de abril de 1860, “para o Brasil” (talvez uma conta (parcela?).

Em nome dos meus ancestrais, eu vos agradeço, Monsenhor, por vossa mensagem cordial e por vossas bênçãos e vos dirijo minhas saudações respeitosas e cordiais.

B.Ungerer

Teríeis a gentileza de me enviar uma foto da torre da Catedral, com o relógio Ungerer, para os Arquivos Departamentais? Obrigado antecipado”.

Outras informações sobre o relógio da Catedral

    Verificando o anexo que acompanhou a carta do Sr. Bernard Ungerer ao monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, lemos uma relação manuscrita referente a 1860, onde constam as encomendas feitas à fábrica Ungerer & Frères, naquele ano. Na relação, uma anotação registra: “avril, 27 Caisse 1 – pour Le Brésil –37– 1.130 Fr (abreviatura da moeda francesa, o Franco).”
    Donde se conclui que o atual relógio, ainda batendo as horas na Sé de Crato, foi adquirido por Dr. Marcos Antônio Macedo, em Estrasburgo, no dia 27 de abril de 1860, fato comprovado pelo cineasta Jackson Bantim, que fotografou a máquina do equipamento e lá consta o ano da fabricação: 1860. Este relógio – segundo pesquisa de Irineu Pinheiro – foi instalado na torre do lado sul da Catedral de Nossa Senhora da Penha no dia 21 de janeiro de 1863, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva.

Escritores do Cariri: Nertan Macedo
     Nasceu em Crato a 20 de maio de 1929. Foi um dos maiores dentre os jornalistas, historiadores, poetas e escritores nascidos no Cariri. Deixando sua cidade natal, ainda jovem, fixou-se em Recife (PE), onde foi redator dos jornais “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Commercio”. Da capital pernambucana seguiu para o Rio de Janeiro. Nesta última cidade, trabalhou em três jornais da então capital brasileira: “O Jornal”, “Tribuna da Imprensa” e “Jornal do Commercio”, do Rio.
     O escritor Raimundo de Oliveira Borges, escrevendo sobre Nertan Macedo, disse: “Era um enamorado impenitente do sertão, que nunca esqueceu, das suas paisagens, dos seus homens bravos, das mulheres bonitas, dos verdes canaviais do seu Cariri, da silhueta azul da Chapada do Araripe, das fontes cantantes que irrompiam e ainda irrompem graças a Deus do seu seio inesgotável, da Praça da Sé das suas peraltagens de menino, do seu Crato antigo, hospitaleiro e bom”.
    Nertan Macedo escreveu 27 livros, dentre eles: “Caderno de Poesia” (1949); “Aspectos do Congresso Brasileiro” (1956); “Cancioneiro de Lampião” (1959); “Rosário, Rifle e Punhal” (1960); “O Padre e a Beata” (1961); “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” (1962); “Memorial de Vilanova” (1964); “O Clã dos Inhamuns” (1965);   “O Bacamarte dos Mourões” (1966); “Agreste Mata e Sertão”; “Da Provence ao Capibaribe”; “O Clã de Santa Quitéria” (1967); “Dois Poetas Pernambucanos” (1967);  “Floro Bartolomeu–O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros”; “Antônio Conselheiro” (1969); “Cinco Históricas Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião” 2 volumes (1970);   “Sinhô Pereira - O comandante de Lampião” (1975).
        Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri (ocupava a cadeira nº 17, cujo patrono é João Brígido) e a Academia Cearense de Letras. Nertan Macedo faleceu aos 60 anos, em 30 de agosto de 1989.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Rio de Janeiro ganhará primeiro monumento ao Padre Cícero
     Desde 28 de dezembro de 2016, Dom Fernando Panico deixou a função de Bispo Diocesano de Crato, passando, automaticamente, à condição de “Bispo-Emérito” desta diocese. Mas seu novo status, ou seja, sua condição atual, não o impediu de continuar participando de diversos eventos realizados em memória do Padre Cícero Romão Batista. No início deste mês de novembro, Dom Fernando viajou para a cidade do Rio de Janeiro, onde pregou retiro para o clero da Arquidiocese de São Sebastião da antiga capital brasileira.
     Durante o retiro, o Pároco da Paróquia de São João Batista, de Rio das Pedras (zona oeste do Rio de Janeiro), Pe. Marcos Venício, convidou Dom Fernando Panico a celebrar uma missa para os devotos do Padre Cícero, residentes naquele subúrbio carioca. Foi uma festa! Muitos fiéis já conheciam Dom Fernando por informações. Outros já o tinham visto pessoalmente. Uma surpresa aguardava Dom Fernando: a notícia de que, no próximo dia 09 de dezembro de 2018, o Cardeal Dom Orani João Tempesta celebrará missa e inaugurará a Praça Padre Cícero, em Rio das Pedras, logradouro que terá uma estátua do “Padim Ciço”, a primeira construída no Estado do Rio de Janeiro.
                  Manifestação católica em Rio das Pedrs, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

Maceió festeja 148 anos da ordenação do Padre Cícero
        Esta semana Dom Fernando Panico esteve em Maceió, aonde foi a convite do Arcebispo da capital de Alagoas, Dom Antônio Muniz, para celebrar nos festejos pelos 148 anos de ordenação sacerdotal do Padre Cícero. Em Alagoas, Padre Cícero é sempre lembrado e amado pelos fiéis católicos. É comum nas procissões comemorativas às festas dos padroeiros(as) das cidades alagoanas contarem com um segundo andor (geralmente ricamente ornamentado com flores) com a imagem do Padre Cícero Romão Batista.

 O primeiro colégio para mulheres criado no Cariri
               Colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato. Foto do início da década 50 do século passado

        A criação do Colégio Santa Teresa de Jesus resultou de um sonho, dos vários sonhos alentados e concretizados por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro Bispo de Crato. Àquela época, as escolas secundárias funcionavam separadamente para homens e mulheres. Inexistiam as escolas mistas como é praxe, nos dias atuais. E, neste Estado, as poucas escolas de segundo grau para mulheres só funcionavam na capital cearense, distante mais de 600 km de Crato, num tempo quando não havia estradas regulares, nem facilidade de comunicação. 
       Os contatos entre o Cariri e Fortaleza eram feitos unicamente por telegramas e cartas. Por isso, no território da nova Diocese de Crato, somente as moças pertencentes às famílias bem afortunadas financeiramente podiam se deslocar para a cidade de Fortaleza, a fim de estudar. Assim, depois de criar um Ginásio para homens (atual Colégio Diocesano de Crato) e reabrir as portas do Seminário São José para formar novos padres, Dom Quintino procurou a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, possuidora de um colégio na cidade de Fortaleza, para abrir uma filial no Cariri. As tratativas não chegaram a bom termo. Não desanimou o bispo de Crato. Uma segunda tentativa foi feita junto às Irmãs Ursulinas, que tinham uma casa em Salvador (BA). No final de 1922, a diretora das Irmãs Ursulinas escreveu a Dom Quintino mostrando a impossibilidade de enfrentar o desafio que lhe fora proposto pelo Bispo de Crato.
      Mas Dom Quintino conhecia uma senhorita, residente na cidade de Jardim, dortada de muita fé e muita disposição para enfrentar desafios. Era Anna Álvares Couto (a futura Madre Ana Couto), mais conhecida como Naninha Couto que aceitou o desafio que lhe foi proposta pelo Bispo de Crato.    

  Surge o Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato

Madre Ana Couto,
cofundadora da Congregação
das Filhas de
 Santa Teresa de Jesus

     No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.



                                                                     Dom Quintino, 
                                                              primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres
    Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  

Existe potencial para criar a  “Paisagem Cultural”  no entorno da Catedral de Crato

     Entorno da Catedral de Crato em 1914, ano de criação da Diocese de Crato

     Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura– UNESCO: “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e o transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade”. Acrescenta ainda a UNESCO que “O patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”.
    Entre algumas exigências da UNESCO, para que um edifício, ou conjunto de edificações, se constituam em bens culturais, exige-se que esses bens “devem estar associados diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado excepcional”.
      Em qualquer uma dessas exigências se enquadra perfeitamente o conjunto da edificação da atual Catedral de Nossa Senhora da Penha e o seu entorno, localizado no centro da cidade de Crato.
    Pode-se agregar ainda à riqueza desse patrimônio cultural – oriundo das edificações e das atividades humanas da Catedral de Nossa Senhora da Penha – todas as manifestações populares – danças, folguedos, grupos folclóricos, apresentações cênicas, coreografias, músicas etc. – conservadas ao longo de sucessivas gerações, e ainda hoje repassadas às novas gerações –, por ocasião de comemorações e datas festivas, pois elas se constituem no Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. 
      Ressalte-se, por oportuno, que essas manifestações da tradição popular – que compreendem uma gama de expressões de vida de grupos e indivíduos do município de Crato e adjacências – estão sendo objetos de catalogação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. 
        Diante de tudo acima exposto, preocupado com a destruição sistemática que vem sendo feita ao Patrimônio Arquitetônico e Cultural da cidade de Crato, imbuído da responsabilidade como Cura da Sé–Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva, estuda enfrentar o desafio de salvaguardar a paisagem cultural no entorno da Sé Catedral de Crato.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Caririenses ilustres: Padre Francisco Gonçalves Pita
  Nasceu em Missão Velha, no dia em 29 de maio de 1895, filho de Fenelon e Julieta Gonçalves Pita. Em 1909 vamos encontrá-lo estudando no Seminário São José de Crato. Depois foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza. Recebeu a ordenação presbiteral em 27 de fevereiro de 1921. Foi logo nomeado Vigário da Paróquia de São Vicente Férrer, de Lavras da Mangabeira, onde permaneceu até dezembro de 1936, retornando a Crato. 
 Quando de um dos fechamentos do Seminário São José, funcionou naquele edificio  o Ginásio São José. Fechado este, Pe. Francisco Pita, com recursos próprios e ajuda dos pais que eram pessoas ricas em Missão Velha, adquiriu um prédio na esquina da Avenida Duque de Caxias com Rua Nelson Alencar e lá fundou e fez funcionar o antigo Ginásio do Crato. Ali, Pe. Francisco Pita  lecionou Geometria, Álgebra, Aritmética, História Natural Física e Química.
 Tempos depois, foi aprovado para ser professor do Colégio Militar de Fortaleza. Deixando Crato,  vendeu o seu Ginásio à Diocese, o qual passou a se chamar Colégio Diocesano de Crato. 
  Em Fortaleza, foi capelão do Colégio Militar  e da igreja de São Pedro. Primeiro pároco da nova Paróquia de Santa Luzia (fundada em 13.03.1942). Ensinou língua portuguesa do Colégio Militar. Recebeu o título de Monsenhor, que lhe foi  concedido pelo Papa Pio XII. Faleceu na capital cearense, em 23.11.1969, vítima de atropelamento. É patrono da Cadeira de nº 16 do Instituto Cultural do Cariri, com sede em Crato
      
História: sobre o povoamento do Cariri

       Teve início, provavelmente por volta de 1703, o povoamento do extremo sul do Ceará, quando criadores baianos e sergipanos – seguindo o caminho dos rios, que eram então abundantes – chegaram a esta região. Vinham, com seus rebanhos, pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha.
                                                                        Primitivo engenho de rapadura do Cariri   

        Donde se conclui que a primeira exploração econômica do Cariri foi a pastoril. Somente por volta de 1718 (para alguns historiadores), ou 1738 (para outros), descobriu-se a vocação canavieira desta parte do Ceará, graças às amostras de cana-de-açúcar trazidas, provavelmente, da Bahia ou da Zona da Mata de Pernambuco. Teve início, naquele momento, a predominância da agricultura, sobre as atividades pastoris no Cariri cearense.

A presença de famílias da Província de “Sergipe del Rey” nessa povoação
                 Antigo Brasão de Armas de Sergipe del Rey, na época da dominação holandesa

       É da lavra do Monsenhor Francisco Holanda Montenegro o melhor escrito sobre a presença de famílias sergipanas na povoação do Cariri. No livro “As Quatro Sergipanas”, Mons. Montenegro deixou para a posteridade suas pesquisas e interessantes descobertas. E fê-lo arrimado em alentados dados históricos, onde prova que nas linhagens da “Gens Caririenses” estavam troncos familiares provenientes da então Província de Sergipe del Rey. 
 Bastaria recordar aqui a ascendência do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – o “Contrarrevolucionário do Cariri de 1817”, considerado, também, o fundador da cidade de Juazeiro do Norte. O lendário Brigadeiro Leandro era filho do sergipano Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça e da pernambucana Joana Bezerra de Menezes. Descendia ele – em linha direta – do português Diogo Álvares (que ficou conhecido pelo nome de "Caramuru") e da índia Paraguaçu (convertida ao catolicismo e batizada em 1528, na Catedral Saint-Malo, na França, com o nome de Catherine du Brésil). Reza a tradição ter sido esse o primeiro casal cristão brasileiro. O livro de Mons. Montenegro, no entanto, tem vasto inventário de outras famílias sergipanas que povoaram o Cariri cearense.

Sobre o Brigadeiro Leandro
Livro "As Quatro Sergipanas", da lavra de Monsenhor Francisco Holanda Montenegro

          Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, no seu livro "As Quatro Sergipanas", descreve assim o perfil moral do fundador de Juazeiro do Norte: “... a relevar o nome do mais ilustre dos cratenses, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, o nume tutelar dos Bezerra de Menezes do Cariri. Ele se tornou grande, primus inter pares, pela retidão de caráter, pela nobreza de sentimentos, pela vida exemplar de que era dotado. Homem de Deus, espírito límpido e transparente, franco, sincero, leal. A par de sua honestidade, corriam parelhas a prudência, o equilíbrio e o bom senso."
 O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro nasceu no sítio Moquém, zona rural de Crato, em 5 de dezembro de 1740. A historiadora Amália Xavier de Oliveira (uma das primeiras a defender o Brigadeiro como fundador de Juazeiro do Norte) argumentou que isso ocorreu porque, dentre suas várias propriedades rurais, o Brigadeiro escolheu uma delas para viver seus últimos dias. Era a Fazenda Tabuleiro Grande, (localizada onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte) assim descrita por Amália:

As extensas terras do Brigadeiro Leandro
    Juazeiro do Norte em 1827, numa pintura da artista plástica Assunção Gonçalves. A casa com pequeno alpendre e um banco na frente, era a casa do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

 Conforme a escritora Amália Xavier de Oliveira: “... imensa extensão de terra, partindo do município de Crato e espraiando-se em direção à serra de São Pedro, era a Fazenda Tabuleiro Grande, pertencente ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e que, portanto, fazia parte da gleba de terra do engenho Moquém que seus avós doaram aos seus pais como dote, quando eles se casaram. O ponto mais pitoresco da fazenda era uma ligeira elevação do terreno, próximo ao rio Salgadinho, onde havia três grandes juazeiros, formando um triângulo e sobressaindo, entre os demais, pelo tamanho de sua fronde e pela beleza do verde de sua clorofila. Sob esta fronde acolhedora, procuravam abrigo os viajantes feiristas, que, de Barbalha, Missão Velha e outras imediações se dirigiam a Crato para vender seus produtos e comprar mantimentos para a semana (...)

 Como Juazeiro do Norte surgiu
  E continua Amália: "Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda perto da casa já existente".
  Em 15 de setembro de 1827 foi lançada a pedra fundamental da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Assistiu a essa solenidade o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, aquela época caminhando para os 87 anos de idade. A imagem de Nossa Senhora das Dores, destinada à capelinha, foi adquirida pelo brigadeiro em Portugal e ainda hoje é conservada, em excelente estado, na Casa Paroquial de Juazeiro do Norte.

Fato histórico pouco divulgado: Padre Cícero era um “Bezerra de Menezes”
 Também o Padre Cícero Romão Batista tinha ascendência sergipana.     

 Deve-se aos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker a constatação de que, dentre os ancestrais do Padre Cícero Romão Batista, alguns são do clã Bezerra de Menezes. Num livro escrito por esses dois historiadores (“A Família Bezerra de Menezes”, ABC Editora, Fortaleza, 2011) consta: 

“Alguns ancestrais do Pe. Cícero pertenciam à família Bezerra de Menezes. Quem lê estudos mais aprofundados sobre a biografia de Cícero Romão Baptista, o padre secular que revolucionou a Povoação do Joaseiro, entre 11 de abril de 1872 – quando chegou na povoação, e 20 de julho de 1934, quando falece – deve ter encontrado alguns destes registros. As suas tetravó e trisavó maternas, respectivamente, Petronila Bezerra de Menezes e Ana Maria Bezerra de Menezes, filha de Petronila, eram relacionadas por genealogistas como oriundas da contribuição étnica da família, dos troncos existentes entre velhos povoadores da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe especialmente.
  No desenvolvimento genealógico desta família, agora é oportuno salientar que, o nono filho do casal Bento Rodrigues Bezerra e Petronila Velho de Menezes, se não teve uma grande importância no povoamento do Cariri, menor não é o significado de sua descendência, especialmente, para Juazeiro do Norte, pois representou o berço do patriarca na extensa Nação Romeira, o reverendíssimo Padre Cícero Romão Baptista. Assim:

1.    João Bezerra de Menezes matrimoniou-se com Maria Gomes, e foram pais de:
2.    Petronila Bezerra de Menezes que casou com o Cap. João Carneiro de Morais, e geraram:
3.    Ana Maria Bezerra de Menezes, que desposou o Cap. Francisco Gomes de Melo, pais de:
4.    José Gomes de Melo, capitão, de cujo enlace com Ana de Farias, tornaram-se pais de:
5.    Vicência Gomes de Melo, que uma vez casada com José Ferreira Castão, foram pais de:
6.    Joaquina Vicência Romana (ou Joaquina Ferreira Castão – Dona Quinô), de cujo casamento com Joaquim Romão Baptista Mirabeau, foram pais de:
7.    Padre Cícero Romão Baptista”.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

De luto o patrimônio ecológico do Cariri: fogo trouxe destruição ao Parque Estadual do Sítio Fundão
                               O que restou do velho "engenho de pau" do Sítio Fundão após o incêndio

   A cidade de Crato, e toda a região do Cariri, ficaram mais pobres – no último sábado, 3 de novembro – devido a um incêndio – cujas causas ainda não foram apuradas – que destruiu toda a estrutura do “engenho de pau" existente naquela reserva ecológica. O engenho destruído, que era movido a tração animal, produziu rapadura até 1944. O incêndio destruiu ainda cerca de dez hectares da floresta nativa daquela reserva, cuja flora preservavam os biomas Caatinga e Cerrado e remanescentes da Mata Atlântica.

Onde está localizado o parque
    O Parque Estadual do Sítio Fundão fica localizado na área urbana da cidade, e contribui para a preservação de aves e animais silvestres, dentre eles saguis, lagartos em maior escala, como também serve de habitar para raros tatus, tamanduás e veados que já foram vistos na sua área de 94 hectares.

Quando o parque foi adquirido pelo Governo do Ceará
 O Parque Estadual Sítio Fundão foi criado pelo Governo do Estado do Ceará, em 05 de junho de 2008. Lá podíamos contemplar a beleza exuberante da sua flora. O parque abriga, ainda, parte do território do Geossítio Batateira, integrante do   Geopark Araripe. Era comum para lá se dirigirem comitivas de alunos das nossa rede escolar para atividades de Educação e interpretação ambiental, recreacionais e pesquisa científica.

 Quando da sua criação pelo Governo do Ceará, em 2008, foi inventariado o seguinte patrimônio do Parque Estadual do Sítio Fundão:
 1) Uma murada de pedra e cal erguida por ordem do imperador D. Pedro II, cujos trabalhos foram executados por negros escravos;
 2) Um engenho de madeira com tração animal que funcionou puxado por cavalos ou junta de bois, construído em 1904 e que representa um símbolo da época áurea da produção rapadureira caririense, mantido em funcionamento até o ano de 1944;
3)A casa onde Seu Jeferson, antigo proprietário, morava e que, curiosamente devido à tranquilidade do local, não tinha portas nem janelas;
4) Uma espaçosa casa abandonada, construída por Seu Jeferson com o objetivo de ser sua morada, porém nunca habitada; 
5) Uma casa de taipa em 1° andar, edificação que se destaca pela raridade do modelo construtivo, com alpendre elevado, escada em parafuso e piso superior feito em madeira, planejada por Seu Jefferson e construída para um dos seus filhos.
                                       Casa de taipa construida por Jeferson da Franca Alencar

Preservando a vegetação primitiva do Cariri
 O Sítio Fundão é um pedaço preservado da vegetação do Cariri. E isso se deve ao Sr. Jeferson da Franca Alencar, que manteve incólume – até 1986, ano do seu falecimento – a área florestada, e proibia a caça de aves e animais silvestres naqueles 94 hectares.  Ademais, graças também ao Sr. Jeferson da Franca Alencar, foram preservados no Sítio Fundão outros bens históricos (todos tombados pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) a exemplo da Casa de Taipa (chamada hoje “Centro de Visitantes”) composta de piso inferior e superior, além de uma parede de pedras. No interior do Parque Estadual do Sítio Fundão corre parte do Rio Batateira, que banha aquele espaço e mantém verde a vegetação na parte do árido verão nordestino, que se estende pelos meses setembro/dezembro de cada ano.

Uma área para entrar em contato com a natureza

        Ressalte-se que, até a semana passada – antes da ocorrência do incêndio – o Parque Estadual do Sítio Fundão disponibilizava cerca e 3,5Km de trilhas e circuito de bicicleta para os visitantes. Em 2017, aquela reserva ecológica recebeu a visita de cerca de 3.700 pessoas. Ela ficava aberta ao público no período das 6h às 9h e das 15h30 às 17h30. Não era cobrado ingresso dos visitantes, que tinham uma equipe de 11 funcionários para servirem de cicerone no passeio pelo sítio. 

Dom Luís Antônio dos Santos, 1º Bispo do Ceará, a quem o Cariri deve muito do seu progresso
 Antes mesmo de visitar Crato, pela primeira vez, Dom Luís Antônio dos Santos já havia feito um ato concreto em defesa da saúde dos seus diocesanos residentes no Cariri. Em maio de 1862, ocorreram em Crato os primeiros casos de cólera-morbo, que viria a provocar a morte de cerca de 1.100 cratenses. O historiador Irineu Pinheiro fez o seguinte registro no seu livro Efemérides do Cariri, à página 148: “1862, 17 de Junho – Fundado em Crato, na estrada entre esta cidade e Juazeiro, por ordem de Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará, o cemitério dos coléricos, o qual mediu vinte braças de largura e quarenta e três de profundidade. Foi benzida em frente dele pelo padre João Marrocos Teles uma cruz de madeira, mandada erguer pelo pároco do Crato, Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Morreram da epidemia o padre Marrocos e Joaquim Romão Batista, pai do Padre Cícero Romão Batista”. 
  Homem culto e, ao seu tempo, bem informado, Dom Luís sabia que o Cemitério Bom Jesus dos Pecadores (hoje denominado de Nossa Senhora da Piedade) de Crato não era o local certo para sepultar as vítimas de cólera-morbo, pois isso poderia contribuir para alastrar o contágio da moléstia. Para tanto, em 1862, determinou a improvisação de novo cemitério, distante, dois quilômetros do centro de Crato, no local onde hoje fica a subestação de energia da COELCE, no bairro São Miguel.

A grande obra de Dom Luís em Crato: o Seminário São José
                                     Seminário São José de Crato nos seus primórdios

   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou – em 1872 – dois padres lazaristas, – padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade e com o entusiasmo com que a população acolheu as missões.
  Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano, na cidade de Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, para acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874. E só retornou a Fortaleza em julho de 1875, deixando em funcionamento (até os dias atuais) o Seminário São José de Crato.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Homens que fizeram Juazeiro do Norte
 Será lançado neste mês de novembro, no Memorial Pe. Cícero (falta marcar a data e a hora), a 2ª edição do Livro “Gente de Expressão” de Francisco Luiz Soares. Trata-se de uma obra que resgata a participação de alguns cidadãos no crescimento e progresso de Juazeiro do Norte. São biografados homens, residentes em Juazeiro do Norte, que não viveram apenas para si, nem priorizaram ganhar apenas o próprio sustento. Eles prestaram um serviço nobre e desinteressado, contribuindo para a Terra do Padre Cícero chegar ao nível de desenvolvimento que hoje ostenta.
 Dentre esses homens, o autor escreveu sobre os falecidos Padre Cícero Romão Batista, José Geraldo da Cruz, Dorotheu Sobreira da Cruz, Joaquim Cornélio, Raimundo Adjacir Cidrão, Odílio Figueiredo, Edmundo Morais, Felipe Neri, Luciano Theophilo de Melo, Aderson Borges de Carvalho, Antônio Corrêa Celestino, dentre outros.
 No livro é feito ainda o resgate da criação e atuação da Associação Comercial de Juazeiro do Norte.

Chegou a temporada do fim-do-ano trazendo mais flores
 O final do ano está chegando! Esta temporada, na região do Cariri, nos traz a floração dos flamboyants, árvores que os antigos caririenses chamavam “sombrião”. Existem pessoas que não percebem os flamboyants floridos nos campos ou nas cidades. Essas pessoas são muito ocupadas para perder tempo observando a mudança do tempo e a floração das árvores. No entanto, indiferente à reação dessas pessoas, o fim-do-ano está chegando e com ele as flores dos flamboyants, embelezando, ainda, mais a já bonita paisagem do Cariri...

Agostino Balmes Odísio o italiano que embelezou as cidades do Cariri
                                              Monumento a Cristo Rei, no centro de Crato

  Italiano de nascimento, Agostinho Balmes Odísio foi um escultor e arquiteto que viveu seis anos no Cariri, entre 1934 e 1940. Neste curto espaço de tempo, ele foi autor de bom número de obras de arte implantadas no Cariri, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, com 29 metros de altura, encimada pela estátua do Cristo Redentor, com seis metros — totalizando 35 metros — ainda hoje considerada o ícone da cidade de Crato.
Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero em Juazeiro do Norte
 Agostinho Balmes nasceu em 1881, em Turim, norte da Itália, e formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco. Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na Capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão dele. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo e permaneceu no Brasil até sua morte.
 Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na imprensa sobre a morte do Padre Cícero e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940.
  Agostinho Balmes foi também responsável pelo projeto do Palácio Episcopal de Crato, e da Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero, bem domo da ampla reforma da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, ambas localizadas  em Juazeiro do Norte. São dele os diversos projetos de reforma de Igrejas e altares do Cariri, com destaque para as fachadas da igrejas-matriz de Milagres e Missão Velha.

 Estátua de Padre Cícero, em frente à capela do Socorro, em Juazeiro do Norte

       Esculpiu aqui vários monumentos. Dentre eles, o de Dom Quintino (na Praça da Sé em Crato), e o do Padre Cícero (em frente à capela do Socorro, em Juazeiro). Introduziu o uso de mosaico e do marmorite nos pisos das casas do Cariri.
















A ideia do Geopark Araripe
  Surgiu da iniciativa do então governador do Ceará, Lúcio Alcântara, (2002-2006), após sugestão do então reitor da Universidade Regional do Cariri, Prof. André Herzog. O professor da URCA, geólogo Alexandre Magno Feitosa Sales foi uma peça fundamental na consolidação da ideia do Geopark Araripe, desde o nascedouro até o reconhecimento pela UNESCO. Para a concretização do Geopark Araripe foi assinado um “Convênio de Cooperação entre a Universidade de Hamburgo (Alemanha) / URCA/ DAAD”, sob a coordenação do Prof. Dr. Gero Hillmer, Curador do Instituto e Museu de Paleontologia da Universidade de Hamburgo.

Como surgiram os “geoparks”
 A ideia surgiu durante a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio de Janeiro no ano de 1992. O megaevento ficou conhecido como a ECO-92. Na ocasião, os temas de proteção e preservação ambiental passaram a ser destaque dentre as principais prioridades da humanidade. Esses temas transformaram-se em palavras de ordem em todos os roteiros de desenvolvimento, por meio de documentos denominados “Agenda 21”.

Sobre o Geopark Araripe
                                          Geotope da Colina do Horto em Juazeiro do Norte

 Localizado no extremo-sul do Cariri, o Geopark Araripe  é o primeiro parque geológico das Américas reconhecido pela UNESCO. Inicialmente, parte de seu território já constituía a Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe, criada em 1997, e localizada no planalto próximo à divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco.
 O Geopark Araripe é a maior referência turística-ambiental do Cariri e um potencializador do desenvolvimento regional. Ele foi o primeiro do Brasil a fazer parte, da Rede Global de Geoparques credenciados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A área compreendida pelo Geopark Araripe é de aproximadamente 4.000 km², e abrange territórios dos municípios Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.

A imensa importância do Geopark Araripe
                                                   Sede do Geopark Araripe, na cidade de Crato

 Hoje reconhecido – pela UNESCO – como “Patrimônio da Humanidade”, o Geopark Araripe, abrange a Bacia Sedimentar do Araripe e possui a maior reserva de registros fósseis planeta referentes ao Período Cretáceo Inferior.  Naquele espaço foram achados registros geológicos e paleontológicos inéditos desde os primeiros anos do Século XIX, com registros entre 110 e 70 milhões de anos de existência, em excepcional estado de preservação e diversidade. No Bacia Sedimentar do Araripe está mais de um terço de todos os registros de pterossauros descritos no mundo; mais de 20 ordens diferentes de insetos e a única notação da interação inseto-planta. Há similares destas mesmas espécies no continente Africano, comprovando cientificamente que os continentes um dia foram ligados, ou seja, formavam um só continente. Este chamado pelos cientistas de continente primaz Gondwana.

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