quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Desprezo com o patrimônio histórico não é só no Cariri: casa de JK, em Diamantina, fecha as portas por problemas financeiros

    Causou grande repercussão, no Brasil inteiro, a notícia divulgada nesta 4ª feira, da grande perda para a cultura de Minas Gerais e para a memória do país: depois de 35 anos em funcionamento, a “Casa de Juscelino”, no Centro Histórico da cidade de Diamantina (MG) vai fechar as portas na 5ª feira, dia 21. Funcionando a duras penas nos últimos anos por causa da falta de repasse de verbas de convênios, o imóvel histórico onde viveu Juscelino Kubitschek (1902-1976), ex-presidente do Brasil (1956-1961), ex-governador de Minas Gerais (1951-1955) e ex-prefeito de Belo Horizonte (1940-1945) terá seu memorial encerrado.
Casa onde viveu o fundador de Brasília, Juscelino Kubitschek

Situação do Patrimônio Histórico no Cariri
 Antiga casa do Senado de Crato, onde funcionava o Museu de Artes (fechado há 9 anos) e o Museu Histórico (funcionando precariamente)

   Tirante a cidade de Barbalha, é lamentável a preservação dos prédios históricos na conurbação Crajubar. Em Crato, as últimas medidas de preservação ocorreram por iniciativa do governador Lúcio Alcântara (período 2003 a 2006). Naqueles anos,  a Secretaria de Cultura do Ceará–Secult, dentre outras iniciativas, tombou o prédio da antiga Prefeitura e Cadeia Pública de Crato (onde funcionavam os Museus Histórico e de Artes Vicente Leite, o primeiro funcionando precariamente, o segundo fechado há quase 9 anos); tombou o prédio da antiga Estação Ferroviária (que resultou no exitoso Centro Cultural do Araripe, hoje com poucas atividades), além do Sítio Caldeirão, na zona rural, com a finalidade de preservar a memória da experiência comunitária feita pelo Beato José Lourenço (onde nada foi feito até agora).
Casa do Juiz de Direito Juvêncio Santana, recentemente demolida

       Em Juazeiro do Norte, também não se pode aplaudir a preservação dos prédios históricos. Recentemente, a antiga casa do juiz Juvêncio Santana, personagem popular na História de Juazeiro do Norte, foi demolida apesar dos protestos das instituições culturais e da imprensa desta cidade.

Diocese de Crato possui dois seminários para formação de sacerdotes
 Capela do Seminário Propedêutico de Crato, dedicada a São João Paulo II

   Além do Seminário São José (que caminha para os seus 150 anos de existência) a Diocese de Crato possui também o Seminário Propedêutico Dom Fernando Panico, ambos destinados à formação dos padres diocesanos.
      O Seminário Propedêutico Dom Fernando Panico foi inaugurado no dia 29 de dezembro de 2015. A Obra foi erguida no bairro Granjeiro, atrás da capela de Nossa Senhora da Conceição, em meio as árvores e tem como moldura o cenário e a vegetação da Chapada do Araripe. Possui uma área de 700 mil metros quadrados, doada à Diocese, em testamento, pelo Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro.
       Esse Seminário dispõe de oito dormitórios, sala de estudos, biblioteca, atividade de informática e televisão, cozinha, refeitório, dispensa, lavanderia, área de lazer, além de uma capela dedicada a São João Paulo II, a primeira na Diocese a ter como patrono o Papa Polonês. Nas suas instalações físicas foram homenageados com a denominação de dos pavilhões o quarto Bispo Diocesano Dom Newton Holanda Gurgel e o Monsenhor Francisco Montenegro. A biblioteca recebeu o nome do Monsenhor Vitaliano Mattioli.

Caririenses ilustres: Dr. Leandro Bezerra Monteiro
   Dr. Leandro Bezerra Monteiro (foto ao lado) nasceu na cidade de Crato, no dia 11 de junho de 1826, filho primogênito do Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e de Jerônima Bezerra de Menezes, sendo neto do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de quem herdou o nome. Em 1847, com vinte anos de idade, iniciou o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, onde recebeu o título de Bacharel, em 1851, com vinte e cinco anos de idade.
     Durante seis anos, foi magistrado em Sergipe. Atraído pela política, foi eleito vereador e presidente da Câmara da cidade de Maruim.  Depois foi Deputado Provincial (hoje deputado estadual). Em 1860, conseguiu o mandato de Deputado Geral (hoje deputado federal). Reeleito, em 1872, Deputado Geral pela província de Sergipe, ganhou fama nacional, devido ao episódio que passou à história do Brasil, como a “Questão Religiosa”. Esta, chamada no início de “Questão Maçônica”, foi um conflito ocorrido no Brasil – no último quartel do século 19 – entre a Igreja Católica e a Maçonaria. 

O que foi a “Questão Religiosa”
    Em maio de 1872, o Bispo de Olinda e Recife, Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, após várias e seguidas admoestações, interditou uma confraria religiosa em Recife, da qual faziam parte dois padres e vários leigos todos filiados à Maçonaria. Eles se recusaram a abandonar essa sociedade secreta, apesar da nova proibição de católicos pertencerem às lojas maçônicas, feita pelo Papa Pio IX. Também o bispo do Pará, Dom Antônio Macedo da Costa, adotou idêntica providência, na sua diocese. Ambos os bispos foram processados e presos por ordem do presidente do Conselho de Ministros do Império do Brasil, Visconde do Rio Branco, que era o grão-mestre da Maçonaria, no Rio de Janeiro.

     Dom Vital e Dom Macedo Costa foram transferidos para o Rio de Janeiro, onde foram condenados a trabalhos forçados, por quatro anos. Como era previsível, o fato causou grande revolta, junto à sociedade brasileira, àquela época majoritariamente católica. O Parlamento brasileiro passou a ser o foco dos debates entre os que apoiavam os bispos e os que defendiam a decisão do Visconde do Rio Branco. Os vários pronunciamentos feitos na Câmara pelo deputado Leandro Bezerra Monteiro, em defesa dos bispos Dom Vital e Dom Macedo Costa, constituiram-se em peças oratórias de grande coragem. Ninguém o excedeu na defesa da Igreja Católica, naqueles momentos difíceis para a Igreja Católica no Brasil. Seus discursos tiveram grande repercussão em todo o Brasil e até no exterior.
Servo de Deus Dom Frei Vital, cuja beatificação poderá ocorrer neste ano



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Projeto de Preservação do Soldadinho do Araripe
    Foi implantado,  na cidade de Crato,  o Projeto de Preservação do Soldadinho do Araripe. Está localizado na sede própria do Instituto Cultural do Cariri.  Além da sede foi delimitado uma área para funcionar como Centro de Visitação do Espaço do pássaro Soldadinho do Araripe.
     Através do apoio dos proprietários de terras, o projeto, em parceria com Área de Proteção Ambiental (APA), vem implantando o Cadastro Ambiental Rural. Atualmente, em 90 nascentes existem menos de 200 casais do pássaro. No total, são apenas 800 soldadinhos-do-araripe, que correm risco de extinção. Para evitar a consanguinidade, de acordo com estudos genéticos deste tipo de animal, são necessários 512 casais. Ainda em processo de preparação, o viveiro de mudas do projeto Soldadinho-do-Araripe vai funcionar produzindo espécies de plantas como a Rosa da Mata, Pimenta de Macaco e Candeeiro D´água que são adequadas ao habitat da ave. Entretanto, o plantio e a recuperação é demorada, devido aos fatores ambientais e também pela qualidade dos solos.

Soldadinho do Araripe: a ave símbolo da Caririensidade
    Esta espécie, cujo nome científico é Antilophia bokermanni, é um pássaro que só existe nas encostas da Chapada do Araripe. Trata-se da única ave endêmica do Ceará, ou seja, das mais de 460 espécies que encontramos no nosso Estado, o Soldadinho do Araripe é a única exclusiva do Ceará. Por isso, tornou-se o símbolo para a conservação da Floresta Nacional do Araripe–Flona.
   As riquezas e as diversidades naturais e culturais fazem do Cariri um oásis no centro da região Nordeste brasileira. A água que é armazenada – na temporada das chuvas –, em reservatórios subterrâneos na Chapada do Araripe, desce depois pelas encostas, formando algumas nascentes. E se transforma numa água límpida e cristalina, que se derrama entre a mata e o sopé da chapada, formando – parte inferior da encosta –  tapetes verdes de bela vegetação.  Em torno desses tapetes surgem pequenos regatos. Fica aí o habitat do Soldadinho do Araripe, uma ave ameaçada e extinção. O Soldadinho do Araripe tornou-se um ícone, uma imagem da caririensidade! E está sendo usado como apelo contra a devastação das florestas da nossa Chapada; contra o mau uso das águas das nascentes; em favor da defesa do meio ambiente.

Um exemplo de ensino de excelência: Colégio da Polícia Militar de Juazeiro do Norte
    Colégio Militar Coronel Hervano Macedo Júnior, localizado em Juazeiro do Norte

    Há 50 anos, Juazeiro do Norte só contava com três educandários de bom nível: Escola Normal Rural, Ginásio Salesiano e Ginásio Batista. Hoje tudo é diferente! A cidade cresceu também na área educacional de ensino médio. Dentre as boas escolas da Terra do Padre Cícero, o Colégio Militar de Juazeiro do Norte – criado pelo atual governador do Ceará, Camilo Santana, em 30 de dezembro de 2015, ganhou realce. Trata-se do segundo Colégio da Polícia Militar do Ceará, beneficiando, no Cariri, alunos do 8º ao 3º ano, do ensino fundamental e médio. Eles são distribuídos em 31 turmas, nos períodos da manhã e tarde. Em 29 de Junho, através do decreto nº 16.038, o colégio passou a se chamar Colégio Militar Coronel Hervano Macedo Júnior.
    São mais de 1.100 alunos, 55 professores, e cerca de 30 militares no quadro de profissionais da escola, que, além de um ensino eficiente, onde a prioridade é o respeito e a disciplina, dispõe de excelentes salas de aulas, laboratórios de Matemática, Informática, Biologia e Física, auditório biblioteca e ginásio esportivo.
     Apesar de críticas feitas por educadores seguidores das orientações emanadas pela “ordem global” no tocante à educação dos jovens,  a verdade é que a disciplina rígida das escolas de orientação militar; o bom desempenho em avaliações nacionais e o ambiente acadêmico com foco na formação completa do estudante, tornaram essas escolas verdadeiros exemplos de excelência em meio ao atual caos da educação pública brasileira.

Um fato histórico-religioso recente em Crato
   Era o dia 27 de janeiro de 2000. O Palácio Alexandre Arraes, sede da Prefeitura Municipal de Crato, estava lotado. Ante uma belíssima imagem de Nossa Senhora de Fátima, o então Prefeito, Moacir Soares de Siqueira, visivelmente emocionado, comandava a solenidade de consagração da cidade de Crato ao Imaculado Coração de Maria.





O  texto da consagração 
“Ó Virgem Senhora de Fátima, a cidade de Crato, prostrada aos vossos pés, crê e espera, deseja e implora a realização de vossa grande promessa: Por fim, o Imaculado Coração Triunfará!
      E nós, enquanto Prefeito deste povo fiel, em união com o Santo Padre o Papa João Paulo II, com o nosso Bispo Dom Newton Holanda Gurgel, e todo o clero, aclamamos desde já este triunfo, que fará raiar no mundo o Reinado de vosso Divino Filho, Cristo Jesus, nosso Redentor.
      E, ao mesmo tempo, suplicamos a graça de sermos instrumentos em vossas mãos para edificação deste Reinado, que só será verdadeiramente de Jesus, se for inteiramente vosso! Sois Vós, Senhora, a Estrela da Esperança e a Aurora do Terceiro Milênio. Foi por Vós que Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, e será por Vós que ele reinará no mundo.
       E nós, vossos filhos de Crato queremos buscar em primeiro lugar este Reino, o Reino de Jesus em Vosso Imaculado Coração, bem certos de que todas as outras coisas nos serão dadas por acréscimo.
      Para selar oficialmente este propósito, nos Vos consagramos – tanto quanto nos outorga nossa autoridade de representante civil deste povo católico – nós consagramos ao vosso Sapiencial e Imaculado Coração nossa cidade, com todas as suas famílias e instituições.
       Aceitai, Senhora, esta consagração. Nós a depositamos em vosso Coração Imaculado, para assim nos consagrarmos mais santa e plenamente ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Divino Filho. Assim seja.”

***   ***   ***
                                               Ex-prefeito de Crato, Moacir Soares de Siqueira

    Assim, naquela singela iniciativa, o Prefeito Moacir Soares de Siqueira – com a legítima autoridade de que estava investido – ao consagrar o Crato a Nossa Senhora de Fátima, separou para Deus esta cidade e seus moradores, oficializando-os – no âmbito civil – como propriedade da Virgem Santíssima. Esta, certamente, cuidará ainda com mais carinho e desvelo maternal, tanto da cidade como do seu povo, que já lhe pertenciam por desígnios de Deus, e cuja pertença foi ratificada por suas autoridades civis constituídas...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

História do Cariri: 2 episódios ocorridos no século 19

 1 – A Revolução Pernambucana de 1817
        Qual a postura das famílias caririenses na época do Brasil-Colônia? Os clãs viviam sob a forte influência da Igreja católica. Isso, certamente, teve influência para o fracasso dos revolucionários republicanos de Pernambuco de 1817 na sua investida no Sul do Ceará. Os revolucionários de Recife enviaram ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho desta região, para levantar o povo contra a Família Real que residia no Rio de Janeiro, sob a liderança do Rei de Portugal, Brasil e Algarves, Dom João VI.

        Aqui chegando, o seminarista Alencar procurou logo a mais importante liderança desta região, o fidalgo e grande proprietário rural Leandro Bezerra Monteiro, à época Comandante do Regimento de Cavalaria de Milícias de Crato. José Martiniano acenou para Leandro  com vantagens para este aderir à Revolução. Sobre Leandro Bezerra Monteiro, assim se referiu Gustavo Barroso literalmente: “Homem equilibrado e sensato, nunca deixou de ser fator ponderável de equilíbrio social, naturalmente defendendo o que se chamava conservadorismo”. Não contava, pois, o jovem seminarista Alencar deparar-se com a solidez dos princípios religiosos e a lealdade que o Comandante das Milícias de Crato sempre tivera para com a Monarquia e a Dinastia dos Bragança. 
         Em resumo, assim descreveu o historiador Joaquim Dias da Rocha sobre o final da visita de abordagem feita pelo seminarista José Martiniano de Alencar a Leandro Bezerra Monteiro, numa das propriedades rurais deste último:
“O entusiasta propagandista esgotou em pura perda o arsenal de argumentos que trazia aparelhados; e desanimou quando, afinal, se resumiu o velho monarquista:

–“Padre José – disse Leandro Bezerra – é ainda cedo para a nossa emancipação; quanto à república, ela me terá sempre como acérrimo inimigo".
Revolução Pernambucana de 1817 em Crato. No Cariri o movimento foi feito pela família Alencar e seus agregados

2 – A Guerra do Pinto
Casa existente em 1834, na Praça da Sé, em Crato, onde foi julgado e condenado à força o Coronel Pinto Madeira. A sentença foi comutada, depois,  para fuzilamento do réu. Parte desta casa ainda existe,  na esquina da Praça da Sé com Rua Dom Quintino.

       Abordemos, agora, outro episódio da nossa histórica. Em 1832, o Cariri seria sacudido por outro movimento, desta feita liderado por Joaquim Pinto Madeira, que era, à época, o Capitão de Ordenanças e Coronel de Milícias de Crato, o qual, no auge do seu prestígio, era chamado – pelo povo – de Governador do Centro do Ceará. Isso porque a influência de Pinto Madeira se espalhava desde  a cidade de Quixeramobim, no Sertão Central até as terras do Cariri, numa distância de quase 400 Km.  Afeiçoado por índole às coisas da Monarquia e à Dinastia dos Bragança, Pinto Madeira lutou ativamente contra os que promoveram os movimentos republicanos da Revolução Pernambucana, em 1817 e da Confederação do Equador, em 1824.  A esse respeito assim escreveu o historiador Irineu Pinheiro: “Nunca perdoaram os Alencares e os liberais cratenses a ação de Joaquim Pinto Madeira naquelas duas agitadas fases da nossa história”. 
      Pois bem, quando Dom Pedro I renunciou ao trono brasileiro, em 1831, Pinto Madeira não se conformou, pois acreditava, erroneamente, que o gesto do nosso primeiro imperador teria sido forçado a isso pelos liberais. Pinto Madeira pegou em armas, invadindo várias cidades do Sul do Ceará, com o objetivo de permitir a continuidade do Reinado de Dom Pedro I. No entanto, os tempos eram outros, bem diferentes de 1817 e 1824. Estávamos já na época das Regências que governaram o Brasil até a maioridade do Imperador Pedro II. E o governador do Ceará não era outro, senão o Padre José Martiniano de Alencar, aquele antigo seminarista revolucionário de 1817, inimigo de Pinto Madeira. Em resumo: tudo terminou com o fuzilamento de Pinto Madeira, fato ocorrido em 1834, na cidade de Crato. 
      Quando a primeira saraivada de bala o abateu, Pinto Madeira ainda teve forças para gritar:

    – Valha-me o Santíssimo Sacramento.
   Passou à história do Ceará como “O Mártir da Monarquia”.
Em 1834, o Presidente da Provincia do Ceará Grande era o Padre José Martiniano de Alencar, o antigo seminarista que fez a Revolução de 1817 em Crato.

 Irmã Annete, Doutora Honoris Causa da URCA
     Neste dia 1º de fevereiro, às 15 horas, tendo como local o Círculo Operário São José de Juazeiro do Norte, Irmã Annette Dumoulin receberá – da Universidade Regional do Cariri-URCA –, o título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido por aquela instituição. Nascida em Liége, no Reino da Bélgica, em 14 de julho de 1935, Annette Dumoulin viveu parte de sua primeira infância no seu país de origem. No entanto, por causa da Segunda Guerra Mundial, sua família teve de emigrar para o Sul da França, onde seu pai – que era médico –prestava assistência às vítimas do conflito que atingiu praticamente toda a Europa.
       Ainda jovem, ela se sentiu atraída pela vida religiosa, sendo admitida na Congregação de Nossa Senhora (mais conhecida como Cônegas de Santo Agostinho). Consta no seu face book que: “Em 1955, a jovem Annette formou em educação física na Bélgica e em 1958 graduou-se em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Louvain, seguida também da formação em Psicologia da Religião, obtendo os títulos de mestre e doutora em Ciência da Educação com especialidade em Psicologia da Religião pela mesma Universidade Católica de Louvain”.
      Transferida para o Brasil, Annette Dumoulin reside há 45 anos em Juazeiro do Norte, sendo hoje a maior conhecedora das histórias das romarias do Padre Cícero. E foi ao ‘Padim” que ela dedicou a maior parte da vida e todo o seu talento intelectual e vocação humanitária. “Eu deixei Pai e deixei Mãe. Deixei todos os meus Irmãos. E cheguei no Juazeiro, para servir ao romeiro.” Afirmou Irmã Annette. Sua voz marcante se tornou referência na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, durante as romarias ao Padre Cícero. 
       Já escreveu alguns livros sobre o Padre Cícero e o fenômeno das romarias. Mereceu com justiça o reconhecimento do seu trabalho concretizado com a concessão do título de Doutora Honoris Causa, que lhe foi concedido pela URCA.

Número especial da revista Itaytera
        No próximo dia 13 de abril será lançado o primeiro número especial da revista “Itaytera”, órgão do Instituto Cultural do Cariri, que tem sede em Crato. Esta edição abrirá a série de “números especiais” que serão editados – a partir de agora – juntamente com as edições normais de “Itaytera”.
          O número 1 especial de Itaytera, homenageará o professor José do Vale Arraes Feitosa por ocasião do centenário de nascimento deste mestre. José do Vale  lecionou, durante décadas, em educandários cratenses, dentre os quais: Colégio Diocesano de Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves, Escola Agro-Técnica Federal de Crato, Ginásio Municipal Pedro Felício Cavalcanti.  
           Nascido no sertão dos Inhamuns, em 11 de abril de 1919, a fecunda vida do Prof. “Zé do Vale” – como era mais conhecido – iniciada no primeiro quartel do século XX e findada praticamente no final desse mesmo século, muito significou para a comunidade cratense e para sua família. José do Vale Arraes Feitosa foi um homem dotado de virtudes e qualidades, de marcante personalidade e de nobreza, no trato com seus semelhantes. Em 1968, José do Vale obteve graduação em Letras, pela antiga Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri–URCA. Ele frequentou os bancos do ensino superior, apenas para oficializar o título. Não precisava dele. Nunca precisou. Mais do que um autodidata, José do Vale foi um “professor-aluno” daquela Faculdade, onde recebia o respeito tanto dos mestres como dos colegas.
No bairro Nossa Senhora de Fátima (antigo Barro Branco) ergue-se uma das maiores escolas de Crato, denominada Escola Professor José do Vale Arraes Feitosa


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Igrejas de Juazeiro do Norte: a do Sagrado Coração de Jesus, dos Salesianos
A construção durou mais de 20 anos
    Juazeiro do Norte é conhecida como a cidade das grandes igrejas católicas. Dentre elas,  a do Sagrado Coração de Jesus é uma das mais novas. Neste 2018 essa igreja completou 40 anos de sua inauguração. Mas levou muito tempo para ser construída. Abaixo nota publicada pelo site Miséria sobre este aniversário:

“O Santuário do Sagrado Coração de Jesus ou Igreja dos Salesianos em Juazeiro do Norte, cuja inauguração aconteceu no dia 7 de maio de maio de 1978, comemora hoje, 40 anos daquela grande festa. O templo se constitui num dos mais belos do município por conta do seu projeto arquitetônico no estilo barroco europeu, com traços de exuberância. As obras começaram em meados da década de 50 um terreno doado pela prefeitura onde existia a Praça Pio XII e duraram pouco mais de 20 anos.

A benção da pedra fundamental foi procedida pelo Padre Renato Ziggiotti, quinto sucessor de Dom Bosco. Sua idealização tem a ver com um sonho e desejo do Padre Cícero apresentado aos religiosos da ordem salesiana. Outra curiosidade, é que a imagem do Sagrado Coração de Jesus presente no altar foi fabricada por alunos salesianos de Gênova, na Itália. 

Já a criação da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, por iniciativa do terceiro Bispo Diocesano de Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, tinha ocorrido cerca de três anos antes. Na placa de inauguração constam o reconhecimento ao voto do Padre Cícero, a dedicação do Padre Nestor e a ajuda dos fiéis. Na época, o presidente da República era o General Ernesto Geisel; o governador do Ceará, Waldemar Alcântara e o prefeito de Juazeiro do Norte, Ailton Gomes de Alencar. Todos falecidos.

O Santuário abriga ainda imagens que tinham sido trazidas de Roma pelo próprio padre Cícero quando viajou em busca de suas ordens sacerdotais. Muitos foram os párocos que por ali passaram sempre promovendo um edificante trabalho de evangelização com o apoio de dezenas de pastorais da Paróquia”.  

 A igreja do Coração de Jesus, hoje

Barbalha: Festa do Pau da Bandeira reconhecida como patrimônio cultural do Ceará
    Após apresentação do excelente relatório do Conselheiro José Luís Lira, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa) declarou a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha como “Patrimônio Cultural do Estado do Ceará”.  Desde 2015 essa festa tinha sido reconhecida, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como “Patrimônio Imaterial Brasileiro”. O reconhecimento, agora, por parte do Estado é, seguramente, mais uma razão para a salvaguarda desse evento e melhoria de sua realização anual.

     Na sua monografia de mestrado, o Prof. Océlio Teixeira de Sousa, do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri afirma: “O Cortejo do Pau da Bandeira consiste no carregamento de um grande mastro do sítio São Joaquim (nos últimos 4 anos o pau tem sido retirado do Sítio Flores, distante cerca de 10 km da sede do município), que dista 5 km da cidade de Barbalha, até a Praça da Igreja Matriz, onde é levantado com a bandeira de Santo Antônio. Não se sabe com precisão quando ocorreu o primeiro cortejo com o mastro da bandeira do Santo Padroeiro”.

     Já no documento de reconhecimento do Iphan consta: “A Festa de Santo Antônio é uma referência cultural do barbalhense e independente do reconhecimento de um órgão público, como é o Iphan, junho é e permanecerá sendo tempo de celebrar Santo Antônio em Barbalha e em inúmeras cidades brasileiras em seus folguedos juninos – que assumem formas e sentidos diversos – até que os grupos sociais que as agenciam considerem-nas pertinentes. E em Barbalha, a celebração a Santo Antônio ganha contornos particulares por meio do Carregamento do Pau da Bandeira”.

Caririenses ilustres: Antônio Xavier de Oliveira
   Médico, escritor e político, Antônio Xavier de Oliveira nasceu em Juazeiro do Norte, em 9 de outubro de 1892 e faleceu em 6 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro (onde se fixara após sua formatura em medicina). Na política, chegou a ser deputado federal – eleito pelo Ceará – e participou da Assembleia Constituinte de 1934 (a segunda constituição republicana dentre as seis promulgadas pelos governos republicanos do Brasil).

    Escreveu o livro “ Beatos e cangaceiros” (1920); “O magnicida Manso de Paiva — um aspecto clínico e médico-legal de sua psicopatia” (tese do seu doutorado em  medicina, 1928); “Intercâmbio intelectual americano” (1930); “Espiritismo e loucura” (1931); “O Exército e o sertão (1932); “Cardeal Pacelli  no Brasil (1942) e “Pio XII no Brasil”, este último somente publicado após sua morte, dentre outros. 

      Em 1967, na administração do Prefeito Mauro Sampaio, foi fundado o Ginásio Municipal Antônio Xavier de Oliveira, que prestou relevantes serviços à educação de Juazeiro do Norte. Este educandário (única homenagem prestada pela terra natal à memória do seu filho, Dr. Antônio Xavier de Oliveira) teve, anos depois, suas atividades encerradas.
           Para a época o prédio do Ginásio Antônio Municipal  Xavier de Oliveira era imponente

Instituto Cultural do Cariri vai comemorar centenário de nascimento do Prof. José do Vale
    No próximo dia 13 de abril de 2019, o Instituto Cultural do Cariri–ICC comemorará os cem anos de nascimento do Prof. José do Vale Arraes Feitosa. Além de algumas solenidades cívicas e religiosas, previstas para resgate da memória deste ilustre educador, o ICC lançará uma “edição extra” da revista “Itaytera”, toda ela dedicada à vida do Prof. José do Vale.

     O Prof. José do Vale lecionou, durante décadas, em educandários cratenses, dentre os quais: Colégio Diocesano de Crato, Colégio Estadual Wilson Gonçalves, Escola Agro Técnica Federal de Crato, Ginásio Municipal Pedro Felício Cavalcanti.  Era sócio do Instituto Cultural do Cariri e foi um modelo de cidadão para a comunidade onde viveu praticamente toda a sua existência.

Cronologia da vida do Prof. José do Vale

1919 – 11 de abril, nasce José do Vale Arraes Feitosa, na Fazenda Cana Brava, em Parambu (CE).

1936–1941 – Aluno do Seminário Diocesano São José, na cidade de Crato.

1942 – Início de suas atividades como Professor, no Colégio Diocesano de Crato.

1946 – Casamento com Maria Gisélia Pinheiro Feitosa, com quem teve seis filhos.

1965 – 30 de janeiro, morte de Maria Gisélia Pinheiro Feitosa.

1968 – Casamento com Maria do Carmo Feitosa, com quem teve dois filhos.

1997 – 19 de outubro, o Prof. José do Vale morre, após pertinaz doença, morre num dos leitos do Hospital São Francisco, em Crato.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Construção do Centro Cultural do Cariri será iniciado em 2019
 Prédio do antigo Seminário Apostólico da Sagrada Família, na cidade de Crato, onde será instalado o Centro Cultural do Cariri

     A Prefeitura de Crato adquiriu o imenso conjunto arquitetônico onde funcionou o Seminário Apostólico da Sagrada Família (depois serviu como Hospital Regional Manoel de Abreu), localizado no bairro Recreio. O prédio será doado ao Governo do Ceará, que o restaurará, e lá fará funcionar o Centro Cultural do Cariri, que funcionará nos moldes do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, de Fortaleza.
      Segundo anunciou o Governador Camilo Santana, o Centro Cultural do Cariri será uma grande arena e anfiteatro, com cinema, área de exposições, teatro, área de lazer, biblioteca, livrarias, memoriais, amplo estacionamento, dentre outros benefícios.

A Vila da Música do Belmonte
         Outro equipamento cultural de grande importância é a Vila da Música, construída pelo Governo do Ceará, no bairro Belmonte, no sopé da Chapada do Araripe, na cidade de Crato. Trata-se do primeiro equipamento cultural do gênero, construído pelo Governo do Estado, no interior cearense. Um espaço que conta com infraestrutura moderna e dedicada a atender estudantes – crianças, jovens e adultos -, distribuídos em diversos cursos de diversos instrumentos, como violino, viola, violoncelo, contrabaixo e violão.
     A Vila de Música funciona numa parceria do Governo do Ceará – através da Secretaria da Cultura – com a tradicional escola de música Sociedade Lírica de Belmonte (Solibel), fundada por Mons. Ágio Augusto Moreira na década de 1970. Esta instituição tem como temas centrais a socialização, a formação humana e o ensino musical, diretrizes estas que foram incorporadas à Vila da Música, fomentando a cidadania através da educação musical e criando oportunidades para o desenvolvimento humano, econômico e territorial sustentável.

Patrimônio histórico do Cariri: o relógio da Catedral de Crato
     O velho relógio da Catedral de Crato continua batendo as horas, 155 anos depois de inaugurado. Ele foi adquirido na fábrica Ungerer & Frères, localizada em Estrasburgo (França), e assentado, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva, na então Matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 21 de janeiro de 1863. O relógio foi oficialmente entregue à população de Crato, no dia 12 de outubro daquele ano, por ocasião da primeira visita pastoral feita ao Cariri pelo primeiro bispo do Ceará, Dom Antônio Luís dos Santos.
     A iniciativa da compra desse relógio coube ao vigário colado da freguesia, Padre Manuel Joaquim Aires do Nascimento, que o adquiriu por intermédio do Dr. Marcos Antônio de Macedo. Consoante informação do historiador Irineu Pinheiro, o relógio da Matriz de Crato foi considerado, “naqueles tempos, um dos melhores do Império”.
    Decorridos 155 anos da sua instalação, o velho relógio da Sé de Crato ainda marca as horas com exatidão. Em 2003, o ex-Cura da Catedral, Monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, escreveu à fábrica de relógios Ungerer solicitando informações sobre o equipamento adquirido para a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, no terceiro quartel do século XIX.
Acima, Theodore Ungerer, construtor do Relógio da Catedral de Crato,
Crédito: site: http://phaffans.com/wp/?tag=equation-du-temps

A carta-resposta recebida pelo Monsenhor
   Transcrevemos abaixo a correspondência recebida – e traduzida – por monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo:

“Estrasburgo, 6-11-2003
A Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo
Vigário Geral da Diocese de Crato-CE

Monsenhor,Queirais perdoar o atraso desta resposta à vossa simpática mensagem de 21 de janeiro de 2003 e vossa carta de 7 de maio ao Vigário Geral de Estrasburgo, que me chegaram, há algumas semanas, somente após três meses de ausência.

Eu sou filho caçula de Thédore Ungerer (1894-1935) construtor do relógio Astronômico de Messina (Sicília) (1933), o maior do mundo com 50 autômatos, dos quais 48 desenhados por meu pai.

Para responder à vossa questão se há ainda a fábrica em Estrasburgo, eu anexo a esta carta um texto do Sr. Yann Cablot, dos Arquivos Departamentais do Baixo Reno.

Eu concluo que a firma Ungerer, fundada em junho de 1858, cessou definitivamente sua atividade, em janeiro de 1989.

Eu encontrei talvez traços de vosso relógio, no repertório dos Grandes Livros Ungerer, nos Arquivos Departamentais (73J45 pag.91, anexo) onde se encontra um pagamento de 1.130 Fr, em 27 de abril de 1860, “para o Brasil” (talvez uma conta (parcela?).

Em nome dos meus ancestrais, eu vos agradeço, Monsenhor, por vossa mensagem cordial e por vossas bênçãos e vos dirijo minhas saudações respeitosas e cordiais.

B.Ungerer

Teríeis a gentileza de me enviar uma foto da torre da Catedral, com o relógio Ungerer, para os Arquivos Departamentais? Obrigado antecipado”.

Outras informações sobre o relógio da Catedral

    Verificando o anexo que acompanhou a carta do Sr. Bernard Ungerer ao monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo, lemos uma relação manuscrita referente a 1860, onde constam as encomendas feitas à fábrica Ungerer & Frères, naquele ano. Na relação, uma anotação registra: “avril, 27 Caisse 1 – pour Le Brésil –37– 1.130 Fr (abreviatura da moeda francesa, o Franco).”
    Donde se conclui que o atual relógio, ainda batendo as horas na Sé de Crato, foi adquirido por Dr. Marcos Antônio Macedo, em Estrasburgo, no dia 27 de abril de 1860, fato comprovado pelo cineasta Jackson Bantim, que fotografou a máquina do equipamento e lá consta o ano da fabricação: 1860. Este relógio – segundo pesquisa de Irineu Pinheiro – foi instalado na torre do lado sul da Catedral de Nossa Senhora da Penha no dia 21 de janeiro de 1863, pelo artesão Vicente Ferreira da Silva.

Escritores do Cariri: Nertan Macedo
     Nasceu em Crato a 20 de maio de 1929. Foi um dos maiores dentre os jornalistas, historiadores, poetas e escritores nascidos no Cariri. Deixando sua cidade natal, ainda jovem, fixou-se em Recife (PE), onde foi redator dos jornais “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Commercio”. Da capital pernambucana seguiu para o Rio de Janeiro. Nesta última cidade, trabalhou em três jornais da então capital brasileira: “O Jornal”, “Tribuna da Imprensa” e “Jornal do Commercio”, do Rio.
     O escritor Raimundo de Oliveira Borges, escrevendo sobre Nertan Macedo, disse: “Era um enamorado impenitente do sertão, que nunca esqueceu, das suas paisagens, dos seus homens bravos, das mulheres bonitas, dos verdes canaviais do seu Cariri, da silhueta azul da Chapada do Araripe, das fontes cantantes que irrompiam e ainda irrompem graças a Deus do seu seio inesgotável, da Praça da Sé das suas peraltagens de menino, do seu Crato antigo, hospitaleiro e bom”.
    Nertan Macedo escreveu 27 livros, dentre eles: “Caderno de Poesia” (1949); “Aspectos do Congresso Brasileiro” (1956); “Cancioneiro de Lampião” (1959); “Rosário, Rifle e Punhal” (1960); “O Padre e a Beata” (1961); “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” (1962); “Memorial de Vilanova” (1964); “O Clã dos Inhamuns” (1965);   “O Bacamarte dos Mourões” (1966); “Agreste Mata e Sertão”; “Da Provence ao Capibaribe”; “O Clã de Santa Quitéria” (1967); “Dois Poetas Pernambucanos” (1967);  “Floro Bartolomeu–O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros”; “Antônio Conselheiro” (1969); “Cinco Históricas Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião” 2 volumes (1970);   “Sinhô Pereira - O comandante de Lampião” (1975).
        Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri (ocupava a cadeira nº 17, cujo patrono é João Brígido) e a Academia Cearense de Letras. Nertan Macedo faleceu aos 60 anos, em 30 de agosto de 1989.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Rio de Janeiro ganhará primeiro monumento ao Padre Cícero
     Desde 28 de dezembro de 2016, Dom Fernando Panico deixou a função de Bispo Diocesano de Crato, passando, automaticamente, à condição de “Bispo-Emérito” desta diocese. Mas seu novo status, ou seja, sua condição atual, não o impediu de continuar participando de diversos eventos realizados em memória do Padre Cícero Romão Batista. No início deste mês de novembro, Dom Fernando viajou para a cidade do Rio de Janeiro, onde pregou retiro para o clero da Arquidiocese de São Sebastião da antiga capital brasileira.
     Durante o retiro, o Pároco da Paróquia de São João Batista, de Rio das Pedras (zona oeste do Rio de Janeiro), Pe. Marcos Venício, convidou Dom Fernando Panico a celebrar uma missa para os devotos do Padre Cícero, residentes naquele subúrbio carioca. Foi uma festa! Muitos fiéis já conheciam Dom Fernando por informações. Outros já o tinham visto pessoalmente. Uma surpresa aguardava Dom Fernando: a notícia de que, no próximo dia 09 de dezembro de 2018, o Cardeal Dom Orani João Tempesta celebrará missa e inaugurará a Praça Padre Cícero, em Rio das Pedras, logradouro que terá uma estátua do “Padim Ciço”, a primeira construída no Estado do Rio de Janeiro.
                  Manifestação católica em Rio das Pedrs, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

Maceió festeja 148 anos da ordenação do Padre Cícero
        Esta semana Dom Fernando Panico esteve em Maceió, aonde foi a convite do Arcebispo da capital de Alagoas, Dom Antônio Muniz, para celebrar nos festejos pelos 148 anos de ordenação sacerdotal do Padre Cícero. Em Alagoas, Padre Cícero é sempre lembrado e amado pelos fiéis católicos. É comum nas procissões comemorativas às festas dos padroeiros(as) das cidades alagoanas contarem com um segundo andor (geralmente ricamente ornamentado com flores) com a imagem do Padre Cícero Romão Batista.

 O primeiro colégio para mulheres criado no Cariri
               Colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato. Foto do início da década 50 do século passado

        A criação do Colégio Santa Teresa de Jesus resultou de um sonho, dos vários sonhos alentados e concretizados por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro Bispo de Crato. Àquela época, as escolas secundárias funcionavam separadamente para homens e mulheres. Inexistiam as escolas mistas como é praxe, nos dias atuais. E, neste Estado, as poucas escolas de segundo grau para mulheres só funcionavam na capital cearense, distante mais de 600 km de Crato, num tempo quando não havia estradas regulares, nem facilidade de comunicação. 
       Os contatos entre o Cariri e Fortaleza eram feitos unicamente por telegramas e cartas. Por isso, no território da nova Diocese de Crato, somente as moças pertencentes às famílias bem afortunadas financeiramente podiam se deslocar para a cidade de Fortaleza, a fim de estudar. Assim, depois de criar um Ginásio para homens (atual Colégio Diocesano de Crato) e reabrir as portas do Seminário São José para formar novos padres, Dom Quintino procurou a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, possuidora de um colégio na cidade de Fortaleza, para abrir uma filial no Cariri. As tratativas não chegaram a bom termo. Não desanimou o bispo de Crato. Uma segunda tentativa foi feita junto às Irmãs Ursulinas, que tinham uma casa em Salvador (BA). No final de 1922, a diretora das Irmãs Ursulinas escreveu a Dom Quintino mostrando a impossibilidade de enfrentar o desafio que lhe fora proposto pelo Bispo de Crato.
      Mas Dom Quintino conhecia uma senhorita, residente na cidade de Jardim, dortada de muita fé e muita disposição para enfrentar desafios. Era Anna Álvares Couto (a futura Madre Ana Couto), mais conhecida como Naninha Couto que aceitou o desafio que lhe foi proposta pelo Bispo de Crato.    

  Surge o Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato

Madre Ana Couto,
cofundadora da Congregação
das Filhas de
 Santa Teresa de Jesus

     No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.



                                                                     Dom Quintino, 
                                                              primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres
    Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  

Existe potencial para criar a  “Paisagem Cultural”  no entorno da Catedral de Crato

     Entorno da Catedral de Crato em 1914, ano de criação da Diocese de Crato

     Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura– UNESCO: “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e o transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade”. Acrescenta ainda a UNESCO que “O patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”.
    Entre algumas exigências da UNESCO, para que um edifício, ou conjunto de edificações, se constituam em bens culturais, exige-se que esses bens “devem estar associados diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado excepcional”.
      Em qualquer uma dessas exigências se enquadra perfeitamente o conjunto da edificação da atual Catedral de Nossa Senhora da Penha e o seu entorno, localizado no centro da cidade de Crato.
    Pode-se agregar ainda à riqueza desse patrimônio cultural – oriundo das edificações e das atividades humanas da Catedral de Nossa Senhora da Penha – todas as manifestações populares – danças, folguedos, grupos folclóricos, apresentações cênicas, coreografias, músicas etc. – conservadas ao longo de sucessivas gerações, e ainda hoje repassadas às novas gerações –, por ocasião de comemorações e datas festivas, pois elas se constituem no Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. 
      Ressalte-se, por oportuno, que essas manifestações da tradição popular – que compreendem uma gama de expressões de vida de grupos e indivíduos do município de Crato e adjacências – estão sendo objetos de catalogação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. 
        Diante de tudo acima exposto, preocupado com a destruição sistemática que vem sendo feita ao Patrimônio Arquitetônico e Cultural da cidade de Crato, imbuído da responsabilidade como Cura da Sé–Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva, estuda enfrentar o desafio de salvaguardar a paisagem cultural no entorno da Sé Catedral de Crato.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Caririenses ilustres: Padre Francisco Gonçalves Pita
  Nasceu em Missão Velha, no dia em 29 de maio de 1895, filho de Fenelon e Julieta Gonçalves Pita. Em 1909 vamos encontrá-lo estudando no Seminário São José de Crato. Depois foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza. Recebeu a ordenação presbiteral em 27 de fevereiro de 1921. Foi logo nomeado Vigário da Paróquia de São Vicente Férrer, de Lavras da Mangabeira, onde permaneceu até dezembro de 1936, retornando a Crato. 
 Quando de um dos fechamentos do Seminário São José, funcionou naquele edificio  o Ginásio São José. Fechado este, Pe. Francisco Pita, com recursos próprios e ajuda dos pais que eram pessoas ricas em Missão Velha, adquiriu um prédio na esquina da Avenida Duque de Caxias com Rua Nelson Alencar e lá fundou e fez funcionar o antigo Ginásio do Crato. Ali, Pe. Francisco Pita  lecionou Geometria, Álgebra, Aritmética, História Natural Física e Química.
 Tempos depois, foi aprovado para ser professor do Colégio Militar de Fortaleza. Deixando Crato,  vendeu o seu Ginásio à Diocese, o qual passou a se chamar Colégio Diocesano de Crato. 
  Em Fortaleza, foi capelão do Colégio Militar  e da igreja de São Pedro. Primeiro pároco da nova Paróquia de Santa Luzia (fundada em 13.03.1942). Ensinou língua portuguesa do Colégio Militar. Recebeu o título de Monsenhor, que lhe foi  concedido pelo Papa Pio XII. Faleceu na capital cearense, em 23.11.1969, vítima de atropelamento. É patrono da Cadeira de nº 16 do Instituto Cultural do Cariri, com sede em Crato
      
História: sobre o povoamento do Cariri

       Teve início, provavelmente por volta de 1703, o povoamento do extremo sul do Ceará, quando criadores baianos e sergipanos – seguindo o caminho dos rios, que eram então abundantes – chegaram a esta região. Vinham, com seus rebanhos, pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha.
                                                                        Primitivo engenho de rapadura do Cariri   

        Donde se conclui que a primeira exploração econômica do Cariri foi a pastoril. Somente por volta de 1718 (para alguns historiadores), ou 1738 (para outros), descobriu-se a vocação canavieira desta parte do Ceará, graças às amostras de cana-de-açúcar trazidas, provavelmente, da Bahia ou da Zona da Mata de Pernambuco. Teve início, naquele momento, a predominância da agricultura, sobre as atividades pastoris no Cariri cearense.

A presença de famílias da Província de “Sergipe del Rey” nessa povoação
                 Antigo Brasão de Armas de Sergipe del Rey, na época da dominação holandesa

       É da lavra do Monsenhor Francisco Holanda Montenegro o melhor escrito sobre a presença de famílias sergipanas na povoação do Cariri. No livro “As Quatro Sergipanas”, Mons. Montenegro deixou para a posteridade suas pesquisas e interessantes descobertas. E fê-lo arrimado em alentados dados históricos, onde prova que nas linhagens da “Gens Caririenses” estavam troncos familiares provenientes da então Província de Sergipe del Rey. 
 Bastaria recordar aqui a ascendência do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – o “Contrarrevolucionário do Cariri de 1817”, considerado, também, o fundador da cidade de Juazeiro do Norte. O lendário Brigadeiro Leandro era filho do sergipano Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça e da pernambucana Joana Bezerra de Menezes. Descendia ele – em linha direta – do português Diogo Álvares (que ficou conhecido pelo nome de "Caramuru") e da índia Paraguaçu (convertida ao catolicismo e batizada em 1528, na Catedral Saint-Malo, na França, com o nome de Catherine du Brésil). Reza a tradição ter sido esse o primeiro casal cristão brasileiro. O livro de Mons. Montenegro, no entanto, tem vasto inventário de outras famílias sergipanas que povoaram o Cariri cearense.

Sobre o Brigadeiro Leandro
Livro "As Quatro Sergipanas", da lavra de Monsenhor Francisco Holanda Montenegro

          Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, no seu livro "As Quatro Sergipanas", descreve assim o perfil moral do fundador de Juazeiro do Norte: “... a relevar o nome do mais ilustre dos cratenses, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, o nume tutelar dos Bezerra de Menezes do Cariri. Ele se tornou grande, primus inter pares, pela retidão de caráter, pela nobreza de sentimentos, pela vida exemplar de que era dotado. Homem de Deus, espírito límpido e transparente, franco, sincero, leal. A par de sua honestidade, corriam parelhas a prudência, o equilíbrio e o bom senso."
 O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro nasceu no sítio Moquém, zona rural de Crato, em 5 de dezembro de 1740. A historiadora Amália Xavier de Oliveira (uma das primeiras a defender o Brigadeiro como fundador de Juazeiro do Norte) argumentou que isso ocorreu porque, dentre suas várias propriedades rurais, o Brigadeiro escolheu uma delas para viver seus últimos dias. Era a Fazenda Tabuleiro Grande, (localizada onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte) assim descrita por Amália:

As extensas terras do Brigadeiro Leandro
    Juazeiro do Norte em 1827, numa pintura da artista plástica Assunção Gonçalves. A casa com pequeno alpendre e um banco na frente, era a casa do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

 Conforme a escritora Amália Xavier de Oliveira: “... imensa extensão de terra, partindo do município de Crato e espraiando-se em direção à serra de São Pedro, era a Fazenda Tabuleiro Grande, pertencente ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e que, portanto, fazia parte da gleba de terra do engenho Moquém que seus avós doaram aos seus pais como dote, quando eles se casaram. O ponto mais pitoresco da fazenda era uma ligeira elevação do terreno, próximo ao rio Salgadinho, onde havia três grandes juazeiros, formando um triângulo e sobressaindo, entre os demais, pelo tamanho de sua fronde e pela beleza do verde de sua clorofila. Sob esta fronde acolhedora, procuravam abrigo os viajantes feiristas, que, de Barbalha, Missão Velha e outras imediações se dirigiam a Crato para vender seus produtos e comprar mantimentos para a semana (...)

 Como Juazeiro do Norte surgiu
  E continua Amália: "Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda perto da casa já existente".
  Em 15 de setembro de 1827 foi lançada a pedra fundamental da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Assistiu a essa solenidade o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, aquela época caminhando para os 87 anos de idade. A imagem de Nossa Senhora das Dores, destinada à capelinha, foi adquirida pelo brigadeiro em Portugal e ainda hoje é conservada, em excelente estado, na Casa Paroquial de Juazeiro do Norte.

Fato histórico pouco divulgado: Padre Cícero era um “Bezerra de Menezes”
 Também o Padre Cícero Romão Batista tinha ascendência sergipana.     

 Deve-se aos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker a constatação de que, dentre os ancestrais do Padre Cícero Romão Batista, alguns são do clã Bezerra de Menezes. Num livro escrito por esses dois historiadores (“A Família Bezerra de Menezes”, ABC Editora, Fortaleza, 2011) consta: 

“Alguns ancestrais do Pe. Cícero pertenciam à família Bezerra de Menezes. Quem lê estudos mais aprofundados sobre a biografia de Cícero Romão Baptista, o padre secular que revolucionou a Povoação do Joaseiro, entre 11 de abril de 1872 – quando chegou na povoação, e 20 de julho de 1934, quando falece – deve ter encontrado alguns destes registros. As suas tetravó e trisavó maternas, respectivamente, Petronila Bezerra de Menezes e Ana Maria Bezerra de Menezes, filha de Petronila, eram relacionadas por genealogistas como oriundas da contribuição étnica da família, dos troncos existentes entre velhos povoadores da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe especialmente.
  No desenvolvimento genealógico desta família, agora é oportuno salientar que, o nono filho do casal Bento Rodrigues Bezerra e Petronila Velho de Menezes, se não teve uma grande importância no povoamento do Cariri, menor não é o significado de sua descendência, especialmente, para Juazeiro do Norte, pois representou o berço do patriarca na extensa Nação Romeira, o reverendíssimo Padre Cícero Romão Baptista. Assim:

1.    João Bezerra de Menezes matrimoniou-se com Maria Gomes, e foram pais de:
2.    Petronila Bezerra de Menezes que casou com o Cap. João Carneiro de Morais, e geraram:
3.    Ana Maria Bezerra de Menezes, que desposou o Cap. Francisco Gomes de Melo, pais de:
4.    José Gomes de Melo, capitão, de cujo enlace com Ana de Farias, tornaram-se pais de:
5.    Vicência Gomes de Melo, que uma vez casada com José Ferreira Castão, foram pais de:
6.    Joaquina Vicência Romana (ou Joaquina Ferreira Castão – Dona Quinô), de cujo casamento com Joaquim Romão Baptista Mirabeau, foram pais de:
7.    Padre Cícero Romão Baptista”.

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